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Depoimento do Primeiro Diretor da FEQ – Prof. Dr. Milton Mori

Primeiro Diretor da FEQ

Graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (1972), Mori possui mestrado em Engenharia Nuclear pela The University of Michigan (1979) e doutorado em Engenharia Nuclear pela North Carolina State University (1983). Aposentou-se como professor titular da Unicamp e foi coordenador do Laboratório de Processos Químicos e Gestão Empresarial (PQGE). À frente do PQGE, desde 1984, captou recursos financeiros para a execução de 65 projetos, sendo 37 financiados por indústrias como Petrobras, Basf, Rhodia, Ripasa S.A. e Votorantim.

Entre 1988 e 1989, foi coordenador de pós-graduação do Departamento de Engenharia Química (DEQ). Nessa gestão, teve papel importante na criação do curso de doutorado, em 1989. Mori foi presidente do Conselho Superior da Associação Brasileira de Engenharia Química (ABEQ) entre 2006 e 2008 e editor-chefe da revista Brazilian Journal of Chemical Engineering entre 1994 e 2007. Foi diretor da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp entre 2008 e 2009 e diretor executivo da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp) entre 2013 e 2017. Também integrou o Conselho Superior da Inovação e Competitividade (CONIC) da FIESP entre 2013 e 2019. Nos anos de 1995 e 1998 recebeu o Prêmio de Reconhecimento Acadêmico “Zeferino Vaz” da Unicamp e, em 1998, o Prêmio Fundação Vitae, além de outras premiações com docentes e alunos, destacando-se o 5º Prêmio Petrobras de Tecnologia, em 2011, com a professora Gabriela Lopes, da UFSCar.

1) Formação acadêmica

Ao concluir a graduação na UFPR e o curso de formação em energia nuclear promovido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear — oferecido nos dois últimos anos da graduação, com bolsa — Mori foi convidado, com mais cinco alunos, para participar da seleção para o programa de mestrado especial no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro. Entre cerca de 30 candidatos no país, quatro dos seis egressos da UFPR foram admitidos. Após dois anos de estudos e avaliações conduzidas por docentes do IME, cinco alunos foram selecionados para programas de PhD nos EUA.

Sempre atuou na área de simulação de processos. Sua dissertação de mestrado (Master of Science Degree) na The University of Michigan foi altamente teórica — à época, cerca de 90% do corpo docente tinha formação em física nuclear. Após concluir o mestrado e ser aprovado no exame escrito de qualificação para o PhD, decidiu migrar para a North Carolina State University, que contava com docentes voltados à engenharia aplicada.

2) Coordenação do Laboratório de Processos Químicos e Gestão Empresarial (PQGE) – 1983 a 2017

Ao retornar ao país, Mori encontrou poucas oportunidades em pesquisa nuclear. Foi então contatado pelo professor Saul sobre uma vaga aberta no DEQ e retornou à área de engenharia química.

Ao ingressar no DEQ em 1983, encontrou um departamento pequeno, com cerca de 9 docentes doutores e um laboratório com capacidade para apenas dois alunos. No fim da década de 1980, o espaço foi ampliado para oito alunos. Nesse período, iniciaram-se os esforços de captação de recursos para projetos em parceria com empresas. Até 2017, o PQGE havia executado 65 projetos, sendo 37 com financiamento industrial.

A maioria dos alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado recebeu bolsas da Petrobras, com valores superiores aos da Fapesp. Muitos doutorandos tiveram experiências no exterior. As pesquisas resultantes das parcerias foram amplamente publicadas em periódicos de alto impacto. Ao todo, Mori orientou 34 alunos de IC, 20 mestres e 14 doutores.

3) Brazilian Journal of Chemical Engineering

Na primeira gestão da diretoria da FEQ (1990–1994), Mori foi convidado em 1993 para assumir a criação de uma nova revista científica em substituição à revista de Engenharia Química editada pela COPPE. Ele propôs que o novo periódico fosse publicado apenas em inglês, originando o Brazilian Journal of Chemical Engineering (BJChE), do qual foi editor-chefe por 13 anos (1994–2007).

Nos primeiros anos, o periódico foi impresso e distribuído gratuitamente. Em 1997 foi indexado na SciELO, integrando o projeto piloto da plataforma. Posteriormente, alcançou várias outras bases internacionais. Durante sua gestão, Mori participou pessoalmente de todas as etapas, da revisão à postagem das revistas, com apoio de alunos e colaboradores.

4) Cursos de Extensão da FEQ

Diante da falta de recursos da reitoria, Mori decidiu, por volta de 1997–1998, estruturar um curso de Especialização em Engenharia Ambiental. A primeira turma, selecionada entre cerca de 80 candidatos, teve aulas na Funcamp. Em 2002, com a conclusão do prédio de extensão no Bloco E, novas turmas puderam ser atendidas.

A arrecadação dos cursos de extensão permitiu ampliar o Bloco E, construir salas, estacionamentos, passarelas e modernizar salas de graduação, além de apoiar eventos estudantis como os da Propeq Jr e do CAFEQ. O montante bruto arrecadado ao longo de mais de uma década equivale hoje a cerca de R$ 25 milhões.

5) Atuação no curso de graduação em Engenharia Química da Unicamp

Na primeira gestão da diretoria, foi criado o curso noturno (1992). No mesmo ano surgiu a empresa júnior PROPEQ. Em 1993, apesar de forte inflação, a FEQ realizou o ENBEQ em Atibaia, com apoio da CAPES e do CNPq, trazendo o professor Richard Felder, referência mundial em educação em engenharia.

Na segunda gestão (2002), foi criado o Centro Acadêmico da FEQ (CAFEQ) após ampla consulta aos estudantes, além da Associação Atlética da FEQ.

6) Curso de Pós-Graduação

Como coordenador (1988–1989), atuou na implantação do curso de doutorado. Sob coordenação posterior da professora Liliane Lona, o programa alcançou, pela primeira vez, nota 7 da CAPES — feito repetido na gestão seguinte.

7) Agradecimentos

Agradece aos docentes e colaboradores que contribuíram para o desenvolvimento científico e para a construção da infraestrutura laboratorial da FEQ, com agradecimentos especiais ao professor Saul G. d’Ávila, a José Claudio Moura e às ATUs Ana Rita Weber e Silvana Neves, fundamentais nas gestões 1990–1994 e 2002–2006.

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